segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A Essência Do Ensinamento de K.

A pedido de Mary Lutyens, Krishnamurti escreveu, em Outubro de 1981, uma declaração no seu livro The Years of Fulfilment, o segundo volume da sua biografia de Krishnamurti. Ao reler a declaração em 1983, Krishnamurti fez algumas alterações aqui incluídas. Esta é a declaração final e completa.

A essência do ensinamento de Krishnamurti está contida na declaração que fez em 1929 quando disse ´A Verdade é uma terra sem caminhos`. O homem não chegará a ela através de organização alguma, através de qualquer crença, através qualquer dogma, sacerdote ou ritual, nem através do conhecimento filosófico ou da técnica psicológica.
Ele tem de descobri-la através do espelho das relações, através da compreensão do conteúdo da sua própria mente, através da observação e não pela analise intelectual ou dissecação introspectiva. O homem tem construído imagens em si próprio, como uma barreira de segurança - imagens religiosas, políticas, pessoais.
Estas imagens manifestam-se como símbolos, ideias, crenças. O fardo dessas imagens domina o pensamento do homem , as suas relações e a sua vida diária. Tais imagens são a causa dos nossos problemas, pois elas dividem os homens. A sua percepção da vida é formada pelos conceitos já estabelecidos na sua mente. O conteúdo de sua consciência é a sua completa existência. Este conteúdo é comum a toda a humanidade.
A individualidade é o nome, é a forma e a cultura superficial que o homem recolhe da tradição e do ambiente. A singularidade do homem não se encontra no superficial, mas sim na completa libertação em relação ao conteúdo da sua consciência, que é comum a toda a humanidade. Assim, ele não é um indivíduo.
A liberdade não é uma reacção; a liberdade não é uma escolha. É pretensão do homem pensar que, por poder escolher, ele é livre. Liberdade é observação pura sem direcção, sem medo de castigo ou recompensa. A liberdade não tem motivo; a liberdade não se acha no fim da evolução do homem, mas sim no primeiro passo da sua existência. Na observação começamos a descobrir a falta de liberdade. A liberdade reside na percepção, sem escolha, da nossa existência e actividade quotidianas.
O pensamento é tempo. O pensamento nasce da experiência e do conhecimento, que são inseparáveis do tempo e do passado. O tempo é inimigo psicológico do homem. A nossa acção baseia-se no conhecimento, portanto, no tempo e, deste modo, o homem é sempre escravo do passado. O pensamento é sempre limitado e, por conseguinte, vivemos em constante conflito e luta. Não existe evolução psicológica.
Quando o homem se tornar consciente do movimento dos seus próprios pensamentos ele verá a divisão entre o pensador e o pensamento, entre o observador e a coisa observada, entre aquele que experimenta e a experiência. Ele descobrirá que esta divisão é uma ilusão. Só então haverá observação pura que é percepção (insight) sem qualquer sombra do passado ou do tempo. Esta percepção intemporal (insight) produz uma profunda e radical mutação na mente.
A negação total é a essência do positivo. Só quando há negação de todas as coisas que o pensamento produz psicologicamente, é que existe o amor, que é compaixão e inteligência.

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